Por: Pedro Monteiro
A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD), em 2023, tendo em conta o estudo PREVADIAB (1), estimou uma prevalência de Diabetes, na população portuguesa, entre os 20 e os 79 anos, de 14.1%, correspondendo a 1.1 milhões de pessoas (2).
Nos últimos anos, temos vindo a verificar um aumento significativo do número de diagnósticos de diabetes e pré-diabetes, colocando uma pressão adicional no Sistema Nacional de Saúde, agravando os custos associados ao tratamento da diabetes, ascendendo os 500 milhões de euros em 2021 (medicação e internamentos) (3). Devido ao aumento da esperança média de vida e avanços na medicina, o ser humano vive mais anos. No entanto, mais anos de vida não significam anos de vida saudável. Este prolongar da vida humana, por muitas vezes, está associado a um conjunto de condições que afetam a autonomia e qualidade de vida do indivíduo, tal como a diabetes.
A maioria dos casos de diabetes são de diabetes tipo 2 (DMT2), onde o envelhecimento e a inatividade física desempenham papéis importantes como fatores de risco (4). Adicionalmente, a DMT2 é acompanhada por um conjunto de fatores de risco, incluindo dislipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares (5), agravados com maus hábitos alimentares e presença de excesso de peso e obesidade.
A atividade física, especialmente o exercício aeróbio, tem sido consistentemente associada pela literatura para melhorar o controlo glicémico, resistência à insulina e dislipidemia em pacientes com DMT2 (6). As recomendações para a atividade física atuais para o tratamento e controlo da DTM2 são pelo menos 150 minutos de exercício aeróbio de intensidade moderada por semana (40-59% da frequência cardíaca de reserva; ou 12-13 na escala de perceção de esforço (RPE) de 6 a 20), pelo menos 3 dias por semana, sem passarem mais de dois dias consecutivos sem atividade física (7). Exercício resistido (treino de força) também é recomendado, pelo menos 2 dias por semana, não consecutivos. Se não existirem contraindicações, a inclusão de 90 minutos semanais de atividade física vigorosa (60–89% de FCR e 14-17 RPE) também é recomendada (7).
O American College of Sports Medicine (ACSM) também recomendou a incorporação de exercício resistido a DMT2 (8). Uma declaração conjunta da ACSM e da American Diabetes Association (ADA) afirmou que tanto o exercício resistido como o aeróbio podem melhorar a ação da insulina e auxiliar no controlo da glicemia, lipídos, fatores de risco cardiovascular e qualidade de vida (9)
Referências
- Gardete-Correia L, Boavida JM, Raposo JF, Mesquita AC, Fona C, Carvalho R, et al. First diabetes prevalence study in Portugal: PREVADIAB study. Diabet Med. 2010 Aug;27(8):879–81.
- Sociedade Portuguesa de Diabetologia. Diabetes: Factos e Números – O Ano de 2016, 2017 e 2018− Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes 2019. O Observatório Nacional da Diabetes . 2019. 1–64 p.
- do Vale S, Pedro E, Dinis I, Dores J, Portugal C, Esteves C, et al. Programa Nacional para a Diabetes – Desafios e Estratégias [Internet]. 2023. 0–68 p. Available from: www.dgs.pt
- Mendes R, Sousa N, Themudo-Barata JL, Reis VM. High-intensity interval training versus moderate-intensity continuous training in middle-aged and older patients with type 2 diabetes: A randomized controlled crossover trial of the acute effects of treadmill walking on glycemic control. Int J Environ Res Public Health. 2019;16(21):1–14.
- Pesta DH, Goncalves RLS, Madiraju AK, Strasser B, Sparks LM. Resistance training to improve type 2 diabetes: working toward a prescription for the future. Nutr Metab (Lond). 2017;14:24.
- Yang Z, Scott CA, Mao C, Tang J, Farmer AJ. Resistance exercise versus aerobic exercise for type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. Sports Med. 2014 Apr;44(4):487–99.
- Garber CE, Blissmer B, Deschenes MR, Franklin BA, Lamonte MJ, Lee I-M, et al. American College of Sports Medicine position stand. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise. Med Sci Sports Exerc. 2011 Jul;43(7):1334–59.
- Chodzko-Zajko WJ, Proctor DN, Fiatarone Singh MA, Minson CT, Nigg CR, Salem GJ, et al. American College of Sports Medicine position stand. Exercise and physical activity for older adults. Med Sci Sports Exerc. 2009 Jul;41(7):1510–30.
- Colberg SR, Sigal RJ, Fernhall B, Regensteiner JG, Blissmer BJ, Rubin RR, et al. Exercise and type 2 diabetes: the American College of Sports Medicine and the American Diabetes Association: joint position statement. Diabetes Care. 2010 Dec;33(12):e147-67.
- Inzucchi SE, Bergenstal RM, Buse JB, Diamant M, Ferrannini E, Nauck M, et al. Management of hyperglycemia in type 2 diabetes, 2015: a patient-centered approach: update to a position statement of the American Diabetes Association and the European Association for the Study of Diabetes. Diabetes Care. 2015 Jan;38(1):140–9.

