O custo da inatividade física – Opinião baseada na evidência


Quando falamos de inatividade física, sabemos que existem consequências negativas, no entanto, como alerta o nosso fisiologista do exercício, Pedro Monteiro, poderá ser, por vezes abstrato. Inatividade física refere-se, sobretudo, ao volume de tempo passado em comportamento sedentário (por exemplo, sentado no sofá), excluindo o tempo a dormir.

Um estudo (1) tentou quantificar o custo dessa inatividade e reportou cerca de 500 milhões casos de doenças não comunicáveis, como diabetes e hipertensão, entre 2020 e 2030, como consequência da falta de políticas de promoção de atividade física, sendo mais evidente em países desenvolvidos, como Portugal. Aliás, Portugal é dos países com mais percentagem de inatividade física a nível europeu, com dados a reportarem 73% de pessoas que afirmam não participar em qualquer tipo de atividade física. Os autores estimaram que o custo total da inatividade física a nível global será de cerca de 437 mil milhões de euros ao longo de um período de 11 anos, caso os níveis globais de atividade física não aumentem.

O impacto deste panorama na nossa sociedade será de grande magnitude, consumindo exponencialmente os recursos existentes do Sistema Nacional de Saúde, onde, com um aumento simples da atividade física, poderia, pelo menos, ser reduzido.

Um outro estudo, uma revisão sistemática, estimou o impacto da atividade física no sistema de saúde (2), e conclui que, a curto prazo, pessoas mais ativas, além de mais saudáveis, requerem menos recursos que pessoas não ativas, cerca de 9,0% a 26,6% menores em comparação com grupos inativos. Curiosamente, um estudo incluído nesta revisão sistemática apontou que, ao aumentar o número de anos vida saudável através da atividade física, os custos aumentam. Apesar deste dado, não existem investigações suficientes para corroborar esta afirmação. Por um lado, mais anos de vida podem, de facto, levar a um maior consumo de recursos humanos e financeiros, no entanto, o papel do profissional de saúde é de proporcionar a melhor qualidade de vida aos seus pacientes e a atividade física é parte fundamental para tal, mesmo que a longo prazo acarrete maior custo financeiro, o que, na minha opinião, nunca será um problema, uma pessoa mais ativa e saudável será sempre uma mais-valia para qualquer sociedade, em todos os níveis.

 

Referências bibliográficas

  1.        Santos AC, Willumsen J, Meheus F, Ilbawi A, Bull FC. The cost of inaction on physical inactivity to public health-care systems: a  population-attributable fraction analysis. Lancet Glob Heal. 2023 Jan;11(1):e32–9.
  2.        Duijvestijn M, de Wit GA, van Gils PF, Wendel-Vos GCW. Impact of physical activity on healthcare costs: a systematic review. BMC Health Serv Res. 2023 Jun;23(1):572.